Wednesday, May 01, 2013

vai que precisa?

detalhe do que pode tirar você do buraco ou levá-lo a eles(sem segundas intrepretações)

visto de cima o buraco é mais embaixo

visão do guincho e  fecho do capô. atente para a espessura do para-choques onde a sutileza que pode parecer em excesso - no caso de menos - guarda a força

detalhes, detalhes, ah! os detalhes

visão interna do step e a maneira standard de o conduzir, com o bocal do tanque de combustível. mas isso não é o suficiente para evitar que o pneu deslize e "você fique travado" - descubra como no post a seguir.
detalhe para a logomarca vw no bocal? não deveria ser jeg? preciosísmo idiota? to keep a cool. o jeg vai virar o jogo( 2x1;)

não fique travado

detalhe interno da fechadura do capô e da trava de segurança.
tenha cuidado para que o step ou algo mais pesado que você carregue no "porta-malas", como um macaco por exemplo, com os solavancos não deslizem para a frente e bloqueiem a trava. se acontecer, não trave. basta soltar os parafusos que prendem a tampa do capô - operação fácil e rápida, desde que você tenha as chaves na medida, of course e rearranjar tudo.
por outro lado, lembre-se que o ladrão, um ser predestinado a inteligência proveitosa, pode antecipar que você deixou alguma a coisa a mais de valor  sob o capô, movido pela brilhante ideia de deixar ali por segurança já que em sua portentosa maioria os jegs usam capota de lona(os jegs de capota fechada são mosca branca). portanto, não dê bobeira. no mínimo não deixe o seu jeg em local êrmo senão quem vai ficar pastando é você(isso se o amigo do precioso não levar o jeg para outros quintais).

ebony and ivory ou nem tudo é perfeito(ainda bem)

o detalhe de um parafuso em namoro com a ferrugem, que neste caso se torna um destaque, e também atração no conjunto de um carro em excepcional estado de conservação e originalidade. sob o logotipo jeg, vê-se em adesivo a logomarca ou coisa parecida da qt engenharia, empresa fundada pelo "cel". catharino e que produziu a segunda série do jeg após o encerramento das atividades da dacunha veículos, tida como a fabricante original. o 4x4 é também a marca não só rara em jegs - não se sabe ao certo quantos na versão 4x4 foram fabricados, e cujas versões díspares preferimos não publicar - como a marca do projeto do referido catharino que também adaptou o sistema para ser usado em kombis. elogios à parte, para não perder a viagem, não dá para não comentar o desalinhamento entre os logotipos, adesivos e gancho: não botem a culpa no jeg dizendo que ele estava relinchando ou escoiceando. contudo, é a tal coisa: a qualidade do carro é tamanha que o desalinhamento passa a ser um ícone próprio.

quantos quilômetros ainda a percorrer e quanta gasolina haverá no seu tanque de sonhos?

paínel espartano, como devem ser o dos verdadeiros "little bastards". marcador de gasolina e velocímetro do fusca " antigo", vendo-se ainda o detalhe da chave de ignição em primeiro plano, que era externa neste caso.

a transparência da originalidade


sem comentários.

a cereja do bolo, bahaus, deuses e diabos ou mies van der rohe vai de jeg

como diria o mies, o arquiteto do racionalismo depurado, " deus está nos detalhes" no que responderia o espírito de jeg: o diabo também. é apenas um detalhe - o da logomarca inserida na caixa de presilha do cinto. mas é a tal coisa: o detalhe que marca e faz a diferença entre um jeg que beira a perfeição e os daquele que pensam que tunagem, adaptação, castração, modificação, fazem a diferença. não fazem. só diminuem e corroboram a ignorância a mais um predicado da arquitetura de van der rohe: menos é mais ou para ficar mais chic: less is more. mas cuidado com o seu less. aperte o cinto, necessário para sua segurança e para os gastos necessários com os detalhes e boa viagem. quanto mais original seu jeg mais ele irá mais longe: chegará, quiçá, a garagem dos seus filhos, netos, bisnetos, trinetos, se eles entenderem que o minimalismo e a originalidade sempre fala mais alto que o espalhafato de qualquer natureza.

in tempo: mies foi professor da bahaus, celébre escola de design e arquitetura onde coincidentemente? as formas "quadradas" do jeg eram uma de suas marcas. de certa forma o espírito de rohe roda com o seu jeg. portanto, acredite ou não, escolha a sua companhia: deus ou o diabo? referindo-me aos detalhes, já que crença religiosa é excesso de bagagem que descartei faz tempo, o que não impediu que na minha viagem deuses e diabos(no feminino também) tenham andado de carona comigo. é o preço de quem acredita na originalidade e não no pecado original;)

extra texture or jeg fucked and master illuminated(the last post of the series)


em livre tradução:o jeg fodástico e seu dono, ambos iluminados e fodásticos por sua própria natureza. e com este extra encerramos esta postagem especial sobre um jeg muito especial.

Sunday, December 23, 2012

enfiando o pé na poça(de lama)

     normalmente não publicamos coisas desse tipo por aqui(até porque devem ter sido vistas por quem mais aficcionado). vamos abrir uma exceção - dever ser o clima natalino;) - e publicar alguns "testes". mas para não perder a viagem, nem o ritmo, apesar da lama e do foco que encobre alguns detalhes, atentem para capota que foge ao original de uma forma até perigosa, pois o que tomou de abertura nas laterais parece ter sido roubada do visor traseiro que é um pudim de ponto cego. carregas um carona orelhudo no banco de trás - o que já é um baita de um castigo - e ai é que não vês nada mesmo. o espelho retrovisor direito também foi pro brejo(marcas de alguma trilha) mas o "puta que pariu!", como é famosamente conhecido o arco de apoio para o carona está lá. bancos também fogem a originalidade com o acréscimo do "segura pescoço" que muitos optam em nome da segurança. mas se a questão é segurança, então não meta o jeg onde ele não possa sair sozinho o que, claro, também depende da cordenação entre munheca, embreagem e acelerador de quem o conduz. como é óbvio, os pneus também não são os originais "cidade e campo" com tala alargada para pegar a lama( e só) o que deixa o jeg bastante amarrado em uso "normal" e ainda mais bebedor. mas ele pode. você é que não. ainda mais com a multa de quase dois mil reais zunindo sobre sua cabeça.

Sunday, July 08, 2012

qual é mesmo o preço deste jeg? ou que jeg é este seu moço?



- qual é o preço deste jeg?
- sessenta mil.
- quanto!?
- sessenta mil reais.
- 60 o quê?!
- S E S S E N T A  M I L  R E A I S!*
- s e s s e n t a  m i l  r e a i s ?***
- cacete!

não meu caro leitor. você não leu errado. e eu não estou fazendo pegadinha nem humor de domingo. tampouco o dono do jeg é um lunático ou lunático e meio aquele que comprar o veículo por este preço**. mas se tudo tem um preço você deve levar em conta o preço que você vai pagar por pagar este preço, se for o caso.
* preço cobrado inicialmente. hoje pede-se 52. muito tempo depois não se sabe se foi vendido. tudo indica que não. e voltou a qt.


** 60 mil não pareceu caro para o proprietário deste outro jeg, também a venda pela bagatela de 45 mil reais nesta data(antes o preço era maior) - o preço foi aumentando a passagem do tempo, começou em 28, 32, 38 e - decerto com este jeg 4x4 inflacionando o mercado - chegou aos 45. ainda assim, antes de aumentar(ou descer) o preço, ele ofereceu o seu, e salvo engano mais um gol pelo 4x4 branco desta postagem(a oferta foi suprimida do anúncio antes de atinássemos em salvá-la) e olha que o jeg dele, este azul abaixo, tema de nossa próxima postagem, ainda que não simpatize com seu projeto de reforma, há de se reconhecer nele apuro de materiais e uma certa lógica de reconstrução.


*** costumamos nunca postar materiais sobre jeg postos à venda antes que completem pelo menos trinta dias de anunciados. tampouco indicamos onde estão à venda. não temos a pretensão de achar que nossas opiniões influenciem a compra ou não de qualquer jeg - mas digamos que o tempo é para que o jeg à venda fale por si próprio. outrossim, para manter a linha editorial, sublinhamos que neste momento temos também um jeg de nossa propriedade à venda, que não é anunciado aqui, tampouco onde o é, e no anúncio está vinculado ao voudejeg. assim ninguém poderá dizer que falamos isso ou aquilo para privilegiar o quê ou quem quer que seja. a isto chama-se ética editorial. no brasil, coisa de jeg, particularmente falando.





o preço do preço daquilo que você preza.



ao negociarmos um carro antigo o preço sempre terá 3 variantes:

- o preço que o proprietário quer para vender o carro;
- o preço que o comprador quer pagar pelo carro ;
- o preço final, aquele que foi acertado entre eles;

aprendi isto com um proprietário de um mp lafer, nos tempos em que possuia um, e relatei abismado o preço cobrado por um lafer, muito bom, mas com alguns pecadilhos na restauração.


aplico aqui então o texto e as observações sobre o mp. " outra coisa, o jipe jeg dacunha é um carro para poucos, apenas para quem é um entusiasta da marca. e para estas pessoas as vezes o preço não importa"  mas só para estas pessoas. não considerem aquelas que perguntam vende? pensando que jeg é veículo pra se comprar a preço de banana: a estes, dê a própria. 


no detalhe o estribo lateral coberto. para alguns uma medida de segurança para evitar que o pé fique preso e cause maiores acidentes. é de se pensar.

entre dentistas e cirurgiões de plástico

o símbolo 4x4 somado a logo vw e a logomarca jeg na lateral alinhadas em reta de uma lanterna de pisca - útil, fosse outra a sutileza - também me dão nevralgias. os espelhos acima da posição normal para muitos melhoram a visibilidade. agora estes faroletes nas laterais inferiores do para-brisas são uma incógnita(para os vagalumes). destaque positivo para o protetor de barra estabilizadora.


seguindo as patas de raciocínio equino, se você assim o quiser chamar, sobre este jeg há muito - e não há -  a dizer. depende do seu rigor e ponto de vista sobre restauração x reforma. originalidade x adaptações. de cara, ele fez um face-lift que é de doer no meu humilíssimo ponto de vista. mas eu, já deve ter ficado claro para os meus  leitores, não sou adepto de cirurgias plásticas. tampouco de clareamentos e facetas para deixar todo mundo com falso sorriso de brilhantes. 


senão vejamos: de fachada a infame e total descaracterização com a aplicação do lettering (tipografia) do nome volkswagen ao exemplo do ford eca que por usa vez já copia os land rovers(algum complexo?).

os faróis quadrados - coisa que o jeep wangler fez e arrependeu-se, a tempo - são a antítese do dna jeep. o jeg é um jeep para quem não sabe. o "radiador de kombi", somado aos faróis quadrados e as lanternas, e o retoque das quinas dos paralamas são de dar dor de dentes até mesmo para quem é anestesiado para os detalhes. a inclusão do suporte para guincho, também parece padecer do mesmo complexo de "car muscle bombado", com as redundâncias que se lhe bastem. 


demais gadgets como ganchos de reboque, grades de proteção de farol aumentadas e passa fios no capô não comprometem tamanho o comprometimento dado pelos itens citados. e paro por aqui, para não achar mais nesta foto porque estou ouvindo zumbidos de broca e já estou mais do que apavorado.


in tempo: a disposição e tamanho dos faróis adicionais sobre o "mata-cavalos" dão-lhe uma proximidade a nivas e samurais. se a intenção é esta, o desastre intentado é ainda maior.

frankstein room´s


nunca é demais lembrar que estamos tratando de um 4x4 - são raros e há diversas lendas sobre a quantidade - como se pode ver pela imagem de duas alavancas. o painel, que traz a parte central(velocimetro, odômetros da kombi) fere a nascente do verdadeiro espírito puro e duro de um jeep: dois instrumentos e fim de papo. mas isto não é privilégio deste jeg. o próprio catharino, que foi continuador da produção da dacunha, fabricante original do jeg, em sua qt, também utilizou o recurso dos mostradores da kombi no seu exemplar diesel filho único. o inclinômetro adicionado ao tipo de ignição, e as diversas chaves "salada" no painel completam o verdadeiro quarto de frankstein que se tornou o interior deste jeg. para o preço de 60 mil ou menos, como se cobra agora, ainda é muito pouco por metro quadrado. não o preço mas sim o cuidado estético com a montagem dos apetrechos do dito cujo.

roda, roda mas não apita o meu coração

detalhe da roda livre e das jantes que configuram o visual da lembrança do projeto original. o desenho dos pneus fica pelo meio caminho da aura dos 4x4. mesmo que seja só por uma questão de imagem e não de uso. é de se lamentar a falta de qualidade e alinhamento nos apliques de logotipos e logomarcas, repetimos, por 60 mil há que se cuidar dos detalhes com mais esmero, pois como já dizia o cara, de nome complicado*, deus está nos detalhes( e para mim o diabo também, principalmente).


*ludwig mies van der rohe

traseira que corresponde, infelizmente, a dianteira


tudo bem que a mecânica do jeg e outros componentes são da volkswagen. mas carago! o veículo é um jeg. então porque a logomarca vw do tamanho de um elefante nesta traseira enganadora que mais parece leviana calça levanta bum-bum? 


a começar da inversão da localização do galão, tudo é um deus nos acuda. lanternas originais substituídas pelas do gol bx - os soquetes mais difíceis de achar do mercado - que por sua vez estão intimamente ligadas a imagem do gurgel tocantins. a fechadura do motor mais parece umbigo de nascituros pobres - infelizmente tratados assim - protuberância fora do lugar que lhe é determinada, sem dúvida, pelo posicionamento do step, que até aqui vai na contramão do mercado que diz que estepe exterior já era - eles não pensam na mãe deles tendo de trocar pneus e retirando-o debaixo do veículo, com já documentados riscos de perda da mão - mas ao qual nos referimos não por tendência de mercado e sim por questões de respeito a proporção. ganha-se espaço no espaço destinado ao pneu sob o capô. sim, mas vale a pena o tresando? 


para terminar, o escape que sempre foi um problema, não só do jeg mas da maioria dos jeeps. afinal, um veículo programado para matar até águas médias ter escape baixo é pedir para engasgar antes de atravessar. neste caso - considerando-se o custo benefício, afinal são 60, trinta se fosse, merecia mais atenção. a adulteração do parachoque para receber a geringonça puxa-treco não fere a estética até porque o rombo em baixo é mais em cima. e olhando-se para cima tem-se a visão dos protetores de pescoço e bancos, material do meio, que tal como dianteira e traseira, não levaram em conta o equilibrio entre estilo, segurança, conforto e personalidade.


é um caso sério para a psiquiatria. sem dúvidas. mesmo mal que padece o jeg azul que sonhou ser puro sangue e reflete-se mais pangaré. mas isto é para o próximo post.


60 mil reais, 52 que sejam? ai meu cacetinho.

Monday, June 25, 2012

salto alto

não, não são os argentinos, que cada vez mais ficam famosos entre os amantes do fora de estrada. são nacionais mesmo, mas do tipo que calça empilhadeiras. seu jeg fica nas alturas e com boa onda. o preço a pagar é o peso que é sentido mesmo na arrancada. mas nada que o jeg não possa puxar. afinal, é um jeg. os conheci montados na traseira. se for colocar na dianteira, multiplique o peso por 4 e veja se não vai raspar nas caixas de roda. se for na altura, há como levantar a dianteira sem grandes problemas. se for no giro do volante é trabalho para lanternagem da boa e olhe lá se não se espremer no chassi. na traseira, como disse sem problemas.

Sunday, June 10, 2012

ao jegue com carinho

excepcionalmente, publicamos hoje o texto plangente e contudente de gilles lapouge, sobre o animal que inspirou e batizou no nosso "jipinho": o jegue, o asno, o burro, o jumento. 
as semelhanças, nas dores e alegrias, admiração e desprezo, utilidade e descartabilidade, não param por aqui. é domingo, e talvez você não queira estragar a sua feijoada(que pode ter carne de jegue dentro), sua pizza ou churrasco com este texto. mas quem o ler, certamente, se tornará melhor. não tanto como os jegues. mas pelo menos terá dado um passo a frente.




Está na hora de lembrar dos jumentos. Os jornais falam muito do Festival de Cannes, do aquecimento global, do naufrágio da Grécia, mas aos jumentos quase ninguém se refere. O cavalo é mais favorecido. É sempre o foco da atenção pois tem elegância, brilho. Domingo vai às corridas, onde caminha gingando como uma estrela de cinema. Os homens usam belas calças e as mulheres lindos chapéus para montar nele.

O jumento não tem a mesma presença. É chamado de "burro" e de "asno". Palavras ofensivas. Tem cor de estopa. É desnutrido. Por que esse rosário de afrontas? Se eu fosse jumento, faria um motim. Brigitte Bardot falou recentemente dos jumentos, os do Brasil. Ela ficou furiosa ao saber que o Rio Grande do Norte, visando a criar uma nova fonte de renda, teria aceitado exportar 300 mil jumentos por ano para a China para nutrir as indústrias alimentícias e cosméticas desse país. Eu compartilho da cólera de Brigitte.

A rarefação dos jumentos nos campos - no Nordeste brasileiro, no sul da França, mesmo na Palestina - sempre me pareceu uma desgraça. Fizemos tanta coisa juntos, eles e nós - as pirâmides, as minas, as rodas d'água, as catedrais, a agricultura...
O jumento também transformou uma desvantagem em mérito. Ele sofre de um problema de vértebras: tem uma a menos. Mas, como é dono de um espírito dócil, aceitou esse infortúnio, que lhe dá pavor de correr e lhe tira o fôlego quando o dono o faz trotar. Na verdade, ele transforma essa fraqueza em força. Como suas vértebras dorsais são bastante desenvolvidas, seu dorso é saliente e seus rins são fortes. Essa constituição singular se ajusta à sela, de madeira ou de couro.

Todas essa inferioridade e a maneira com que ele teve de assumi-la compuseram o destino do jumento. Ele não é bom para correr e não sabe galopar. Em compensação é ótimo para puxar charrete, mover as rodas que trazem a água para a superfície no deserto, carregar feixes de trigo e sacos de terra e pedra. É bom também para descer ao fundo das minas de carvão, onde, muitas vezes, de tanto viver no escuro, acaba ficando cego.
O jumento participou de todas as aventuras do homem. Suou por nós. Perdeu seu fôlego por nós. Morreu sob nossos golpes. E, quando os engenheiros inventaram o motor de explosão, a moto, o trator e o caminhão, adeus jumento! Adeus, velho servidor! Vamos vendê-lo para a China para que as pessoas o comam. Nós o jogamos como se joga uma roupa esgarçada, uma gilete sem corte. Adeus, velho amigo, mas você não serve para  mais nada!

Gosto muito dos jumentos do Nordeste brasileiro. Venho testemunhando sua derrota há 40 anos. E vi esta aberração: motos ruidosas, nauseabundas, perigosas, substituindo jumentos para cercar os rebanhos, em meio a um atroz odor de combustível. Em 1974 fiz uma longa viagem pelo Nordeste do Brasil. Sozinho. Fui de cidade em cidade, ao acaso, segundo meu desejo, em ônibus que rodavam 10, 12 horas por dia. Os jumentos já começavam a desaparecer, mas ainda eram numerosos. Faziam parte da paisagem nordestina. Quando chegava aos vilarejos assolados pela seca, eu ia cumprimentá-los. Eles me lembravam aqueles jumentos que conheci e amei na minha infância, não no Brasil, mas na França, nas montanhas austeras e pedregosas da Provença. Eu falava com os jumentos de João Pessoa ou de Epitácio Pessoa. Temos boas lembranças em comum, os jumentos do Nordeste e eu. Hoje, quando atravesso esses lugares ermos, em meio à barulheira dos caminhões e das motos, procuro por todo o lado as orelhas, as belas orelhas sensíveis, e elas sumiram.
Eu respirava seu odor. Olhava seus grandes olhos melancólicos e era como se um tapete mágico me conduzisse de volta aos tempos felizes da infância. Foi nessas longas noites no Nordeste que compreendi por que tanto amava os jumentos. Do outro lado do mundo, encontrei os mesmos animais, tão bonitos, tão fortes, tão resignados. Como seus congêneres da Provença, os pequenos jumentos do Nordeste se aproximavam de mim e cheiravam minhas mãos. Eles gostavam do meu cheiro, e eu do deles. Certas noites, nesse longo périplo solitário entre Salvador e Natal, Recife e Terezinha, sentia uma certa angústia pelo fato de estar só. Então ia ver os jumentos. Tínhamos este ponto em comum: detesto a solidão, os jumentos, também. Se um jumento está sem companhia, fica infeliz. Entedia-se a ponto de parecer que pode morrer de tédio.
O jumento não é só corajoso e útil: também tem caráter. Apesar de sua cortesia e indulgência com relação às loucuras e vilanias dos homens, jamais transige em questão de princípios. Na Bíblia, uma jumenta impediu que seu senhor, o adivinho Balaam, bloqueasse a passagem do povo de Israel quando este se aproximava da Terra Prometida. Naquele dia, os homens estiveram muito perto do desastre. Se a jumenta não tivesse dado uns bons coices em Balaam, os judeus jamais teriam continuado sua epopeia e isso teria provocado uma grande confusão na Bíblia, na história religiosa e em toda a História. Teríamos que começar tudo do zero. E Deus, como iria se sair dessa?
Em recompensa, o jumento teve o privilégio de aquecer com seu sopro o Menino Jesus na manjedoura. O jumento também teve a honra de servir de montaria para Cristo quando Ele entrou em Jerusalém, antes da Paixão. Jesus ficou muito emocionado e marcou o dorso do jumento com um sinal da cruz. Na Provença nós chamamos de "cruz de Santo André". Fiquei comovido ao encontrar nos jegues do Nordeste o mesmo sinal da cruz.
O jumento é bem considerado pelos deuses. Enquanto os homens o condenam ao insulto, ao desprezo, à pancada e ao trabalho perpétuo, as sociedades religiosas têm consideração com ele. A história santa está repleta de jumentos. A Bíblia o cita 133 vezes, um recorde entre os animais. Em Josué, ficamos sabendo que o jumento foi montado por judeus da mais alta sociedade, príncipes e damas. Cada patriarca tinha seu jumento. Abigail, que vai ao encontro de David, sela seu jumento (Samuel, 25) Zorobabel, depois da Babilônia retorna a Jerusalém montado no dele. Sansão, quando 3 mil filisteus o atacam, usa uma queixada de jumento para revidar e os mata.
O jumento vai do Velho Testamento para o Novo. Jesus escolheu um burrico, não um cavalo, para entrar em Jerusalém. Em Roma, os pagãos ridicularizavam a religião cristã por causa de sua amizade com os jumentos. Um pouco mais tarde, encontramos muitos místicos cristãos no Egito que se entregavam a penitências terríveis: viver sentados na ponta de uma coluna de pedra, numa árvore, quase imersos num pântano ou então se mantendo de tal modo imóveis que os pássaros faziam ninho em suas mãos. Os pagãos se divertem com esses fanáticos. E os chamam de "jumentos".


É verdade que mesmo em países cristãos os jumentos foram às vezes maltratados. Na Espanha, quando Isabel, a Católica, mandava queimar uma feiticeira, esta era amarrada nua num burro para que, à pena de morte, se adicionasse o suplício de partir da vida no dorso de um animal desprezado e obsceno. Na França os professores durante muito tempo colocavam um chapéu de asno na cabeça dos maus alunos. Por toda parte o jumento foi relegado ao desprezo e à injúria. Ao longo da história (salvo nos países do Oriente Médio), ele esteve no mais baixo nível da sociedade. Pior: foi sempre o bode expiatório dos mais humildes, o doméstico dos domésticos, o escravo dos escravos, o proletário dos proletários.

Alguns intelectuais foram em seu socorro. Victor Hugo escreveu, no fim da vida, um imenso poema glorificando o jumento. O grande historiador Michelet sublinhou o papel do burro na história dos homens, e o grande naturalista Buffon defendeu o jumento contra o cavalo. O filósofo da Renascença Giordano Bruno, último homem queimado pela Inquisição, em 1600, fez do jumento um modelo de espírito e erudição. Os sábios que acompanharam Napoleão Bonaparte no Egito, em 1798, montavam jumentos. Quando a tropa foi atacada pelos mamelucos, os oficiais franceses gritaram: "Protejam os jumentos no centro". No geral, pintores e poetas amam o jumento. Os cabalistas judeus descobriram que a palavra "jumento", em hebraico, tem as mesmas letras que a palavra "matéria". E concluíram que o jumento é "o mestre dos segredos do universo". Têm razão. O jumento entende tudo: se é idiota, é idiota como O Idiota de Dostoievski, o príncipe Muichkine - que é genial porque, se não compreende as coisas corriqueiras, compreende, por outro lado, as mais obscuras.
O jumento sabe tudo. Ele não trota nas mesmas paisagens que nós. Apenas aparenta compartilhar nossos caminhos, quando na realidade está em outro lugar, vem de outro lugar, vai para outro lugar. Ele atravessa educadamente nossa geografia sem fazer ruído para não nos perturbar, mas na verdade não caminha no mesmo passo que nós. Somente os poetas compreenderam a nobreza do jumento. Na França, no início do século 20, Francis Jammes escreveu uma oração para eles. É tão bela e luminosa que eu vou citá-la:
Prece para chegar ao Paraíso em Companhia dos Jumentos
Quando for a hora de ir a vosso encontro, meu Deus, fazei com que seja num dia em que o campo esteja brilhando em festa. Pegarei meu bastão e pela grande estrada irei, e direi aos jumentos, meus amigos: sou Francis Jammes e vou para o paraíso, porque não existe inferno na terra do Bom Deus. Eu lhes direi: venham pobres animais queridos, que com um brusco movimento de orelhas se livram das moscas, dos golpes e das abelhas. Que eu apareça diante de Vós entre esses animais que amo tanto porque baixam a cabeça docemente e juntam as pequenas patas de uma maneira tão gentil que dá pena. Meu Deus, fazei com que eu chegue até Vós com esses jumentos. Fazei com que os anjos nos conduzam em paz pelos riachos ensombreados em cujas margens tremulam cerejeiras, e fazei com que nessa morada das almas, sob vossos divinos olhos, eu me assemelhe aos jumentos, cuja humildade e doce pobreza se refletirão na limpidez do amor eterno.

Certamente, com o passar do tempo e dos milênios (ele está entre nós há 5 mil anos) o jumento começa a entender que as coisas não vão muito bem para ele, mas não se revolta. Sua tática é sutil. O cérebro humano não a alcança. O jumento é submisso e glorioso ao mesmo tempo, resignado e irredutível, escravo e soberano, vencido e vencedor. Ele dá cambalhotas nas primaveras onde não já não estamos. Encontrou obstáculos e os contornou. Ele se salvou do tempo. Sobre seus belos cascos, trota nas pradarias onde as horas não soam.

Se o espancamos, ele nos olha com um olhar incrédulo e belo. Não fica com raiva. Tem pena de nós. Não nos culpa, só nos observa. Ele gostaria de nos ajudar a ser menos vingativos. E nos consola de nossas maldades. "Não se preocupe", parece dizer, arreganhando os beiços, "não é sua culpa. Você é assim, mas isso vai passar. É um mau momento, uma má eternidade. Depois, você vai ver, tudo será melhor."


Durante a 1ª Guerra Mundial, em Verdun, inúmeros soldados foram mortos e enterrados. Inúmeros jumentos também foram mortos, mas não foram enterrados. Há alguns anos, um pintor de Auvergne (região montanhosa no centro da França onde há muitos jumentos), Raymond Boissy, manifestou sua indignação. E propôs que um monumento fosse erigido aos mortos, um monumento ao Jumento Desconhecido (como há em Paris o Túmulo do Soldado Desconhecido).
É uma ótima ideia. Aqueles jumentos, o Exército francês os fez vir de barcos do Magreb, do Marrocos, porque os jumentos dessa região são pequenos, dóceis e muito fortes. Eram capazes de transportar 150 quilos de obuses. Rastejavam nas trincheiras levando munição para os soldados que se encontravam em casamatas e fortins. Claro, os alemães descobriram e seus artilheiros bombardearam os ventres dos pequenos jumentos marroquinos. Foi uma carnificina. Aqueles que sobreviveram e retornaram às linhas francesas, contentes de reencontrar seus senhores, estavam feridos. Então foram abatidos. 150 mil jumentos foram mortos em Verdun.
O solo de Verdun está repleto de valas comuns de jumentos. Ali eram jogados os cadáveres desses animais tão gentis, suas pequenas coxas quebradas, as pequenas patas rígidas, seus olhos, tão belos, tão indulgentes, tão resignados. Como não chorar?

Friday, June 08, 2012

os estúpidos ladram e o jeg passa


uma das razões porque cada vez mais gosto do meu jeg, é porque ele me ensina muitas coisas sobre a natureza humana, principalmente a do hoje em dia. 

quando está nos trinques,nos cascos, relinchando gasolina, todos acenam e acham cool. 

quando falha, engasga ou para: " tira esta bosta do meio da rua!". 

e, finalmente, todos ao vê-lo passar querem comprá-lo mas vão logo dizendo - é caro né? custa uns cinco mil? 

e assim para não fazer a rima pobre de dos mil com as puta que o pariu, digo que não vendo e sigo em frente ainda a tempo de ouvir: quer trocar na minha 125?


(sobre preços reais de um jipe jeg falaremos já no próximo post)

Thursday, May 10, 2012

a mosca branca dos jegs

raríssimo exemplar de jeg com cabine fechada. dizem algumas más línguas que só foram fabricados dois, no que devo duvidar por cacoete profissional. pelas rodas tudo leva a crer que deve haver alguns nacos de originalidade do projeto. não tenho elementos para avaliar, por exemplo, se originalmente as janelas dianteiras vinham realmente com abertura e fechamento deste tipo. os protetores de cabeça do banco traseiro certamente não. idem os bancos, que provavelmente devem ser de opala. mas os protetores do faróis sim. no para-choques uma adaptação tipo base para guincho. os piscas sobre os para-lamas certamente também não o são. mas sim, originais também o " o falso estribo" que faz a ligação entre a linha de para-lamas dianteiro com traseiro, que difere da versão tubular. seja como for, um exemplar invejável.