
A autonomia da CBT no projeto foi levada às últimas conseqüências, até o turbo era produzido por ela. O carro era um tosco utilitário de um despojamento franciscano. Feio e barulhento. Mas era extremamente forte, seu motor era um turbodiesel de três cilindros que rendia brutais 25,5 kgmf de torque a apenas 1600 rpm. Por ser ciclo Diesel, o motor trazia as vantagens de ter muito torque em baixas rotações e de não ter distribuidor (para molhar ao cruzar rios) nem carburador (para a cuba desnivelar em aclives); características muito convenientes para a proposta do carro.
Uns, como Fernando Almeida, de Santa Vitória do Pomar no Rio Grande do Sul, odeiam o porco que não se dá a pernil e dá seu depoimento*: "Logo que comprei foi uma alegria, que durou pouco, assim que comecei a tentar domar aquele porco, digo Jipe, descobri porque do nome Javali. A começar pelo conforto, não existe posição de dirigir adequada, pula mais que burro xucro, a direção é dura como a de um caminhão carregado, e se desgoverna pros lados, o motor 3 cilindros faz uma barulheira e tremedeira infernal, se soltam os parafusos, racha e quebra a lataria, treme até os dentes da gente, não tem estabilidade, a caixa de mudanças estava sempre quebrada, juntamente c/a caixa de transferencia, nunca tem freio, a embreagem é uma desgraça, chega a doer a sola do pé, o escapamento esta sempre quebrado, o arranque toca para o lado contrario, pifa e não tem peças, todo o projeto é mal feito, parece tecnologia dos anos 30".
Outro proprietário, Alexandre Valle contesta: "Tenho um veiculo Javali a muitos anos e descordo dos comentarios feitos, pois com pequenas adaptações ele se tornou um excelente off road, melhor que a maioria dos concorrentes, pois é extremamente resistente e dificilmente quebra, normalmente ele é que puxa os demais dos atoleiros em trilhas e em rios, por ser diesel e não ter distribuidor, nada para esse veiculo, sem falar na força de seu 4x4 e reduzida da até para puxar mais de 1 jeep de atoleiro."
O Javali dispunha de um câmbio de quatro marchas, com tração 4x4 e reduzida acionadas por alavanca e roda-livre de acionamento manual junto ao cubo das rodas dianteiras. Suas suspensões eram eixos rígidos com feixes de molas semi-elípticas e amortecedores. Um conjunto feito para a terra, resistente, com curso grande o bastante para sobrepor qualquer obstáculo.
Sem dúvida era um carro com inegável vocação para o trabalho, evocando a força dos seus ancestrais (os tratores da CBT) sem o apelo esportivo e de lazer dos sport-utilities tão comuns hoje. Seus concorrentes diretos àquela época eram o Toyota Bandeirante e o Engesa. O Javali foi vendido ao exército e produzido em série para civis (em uma única cor, um tom entre o cinza e o bege). Mais tarde passou a estar disponível somente por encomenda.
quanto a mim, javali bom é no mato. e original, sem troca e adaptações do motor. se o javali é um porco, no sentido pejorativo usado pelo primeiro proprietário, não vamos aqui dizer que burro é quem não sabe usar o carro de acordo com as especificações para o qual foi projetado
antes de ser um jipe, o javali é um trator, com as características e vicissitudes de um trator. em nossa opinião mais méridos do que defeitos. e como é um javali, tem parentesco com o jeg, pelo menos lá nos ancestrais de ambos.
* depoimentos copydescados no inventanetbrasil.