Sunday, July 08, 2012

qual é mesmo o preço deste jeg? ou que jeg é este seu moço?



- qual é o preço deste jeg?
- sessenta mil.
- quanto!?
- sessenta mil reais.
- 60 o quê?!
- S E S S E N T A  M I L  R E A I S!*
- s e s s e n t a  m i l  r e a i s ?***
- cacete!

não meu caro leitor. você não leu errado. e eu não estou fazendo pegadinha nem humor de domingo. tampouco o dono do jeg é um lunático ou lunático e meio aquele que comprar o veículo por este preço**. mas se tudo tem um preço você deve levar em conta o preço que você vai pagar por pagar este preço, se for o caso.
* preço cobrado inicialmente. hoje pede-se 52. muito tempo depois não se sabe se foi vendido. tudo indica que não. e voltou a qt.


** 60 mil não pareceu caro para o proprietário deste outro jeg, também a venda pela bagatela de 45 mil reais nesta data(antes o preço era maior) - o preço foi aumentando a passagem do tempo, começou em 28, 32, 38 e - decerto com este jeg 4x4 inflacionando o mercado - chegou aos 45. ainda assim, antes de aumentar(ou descer) o preço, ele ofereceu o seu, e salvo engano mais um gol pelo 4x4 branco desta postagem(a oferta foi suprimida do anúncio antes de atinássemos em salvá-la) e olha que o jeg dele, este azul abaixo, tema de nossa próxima postagem, ainda que não simpatize com seu projeto de reforma, há de se reconhecer nele apuro de materiais e uma certa lógica de reconstrução.
talvez a melhor reforma - eu disse reforma e não restauro - de um jeg postada por aqui. mas ainda assim o mundo jeg não ficou livre dos percalços de sempre


*** costumamos nunca postar materiais sobre jeg postos à venda antes que completem pelo menos trinta dias de anunciados. tampouco indicamos onde estão à venda. não temos a pretensão de achar que nossas opiniões influenciem a compra ou não de qualquer jeg - mas digamos que o tempo é para que o jeg à venda fale por si próprio. outrossim, para manter a linha editorial, sublinhamos que neste momento temos também um jeg de nossa propriedade à venda, que não é anunciado aqui, tampouco onde o é, e no anúncio está vinculado ao voudejeg. assim ninguém poderá dizer que falamos isso ou aquilo para privilegiar o quê ou quem quer que seja. a isto chama-se ética editorial. no brasil, coisa de jeg, particularmente falando.





o preço do preço daquilo que você preza.



ao negociarmos um carro antigo o preço sempre terá 3 variantes:

- o preço que o proprietário quer para vender o carro;
- o preço que o comprador quer pagar pelo carro ;
- o preço final, aquele que foi acertado entre eles;

aprendi isto com um proprietário de um mp lafer, nos tempos em que possuia um, e relatei abismado o preço cobrado por um lafer, muito bom, mas com alguns pecadilhos na restauração.


aplico aqui então o texto e as observações sobre o mp. " outra coisa, o jipe jeg dacunha é um carro para poucos, apenas para quem é um entusiasta da marca. e para estas pessoas as vezes o preço não importa"  mas só para estas pessoas. não considerem aquelas que perguntam vende? pensando que jeg é veículo pra se comprar a preço de banana: a estes, dê a própria. 


no detalhe o estribo lateral coberto. para alguns uma medida de segurança para evitar que o pé fique preso e cause maiores acidentes. é de se pensar.

entre dentistas e cirurgiões de plástico

o símbolo 4x4 somado a logo vw e a logomarca jeg na lateral alinhadas em reta de uma lanterna de pisca - útil, fosse outra a sutileza - também me dão nevralgias. os espelhos acima da posição normal para muitos melhoram a visibilidade. agora estes faroletes nas laterais inferiores do para-brisas são uma incógnita(para os vagalumes). destaque positivo para o protetor de barra estabilizadora.


seguindo as patas de raciocínio equino, se você assim o quiser chamar, sobre este jeg há muito - e não há -  a dizer. depende do seu rigor e ponto de vista sobre restauração x reforma. originalidade x adaptações. de cara, ele fez um face-lift que é de doer no meu humilíssimo ponto de vista. mas eu, já deve ter ficado claro para os meus  leitores, não sou adepto de cirurgias plásticas. tampouco de clareamentos e facetas para deixar todo mundo com falso sorriso de brilhantes. 


senão vejamos: de fachada a infame e total descaracterização com a aplicação do lettering (tipografia) do nome volkswagen ao exemplo do ford eca que por usa vez já copia os land rovers(algum complexo?).

os faróis quadrados - coisa que o jeep wangler fez e arrependeu-se, a tempo - são a antítese do dna jeep. o jeg é um jeep para quem não sabe. o "radiador de kombi", somado aos faróis quadrados e as lanternas, e o retoque das quinas dos paralamas são de dar dor de dentes até mesmo para quem é anestesiado para os detalhes. a inclusão do suporte para guincho, também parece padecer do mesmo complexo de "car muscle bombado", com as redundâncias que se lhe bastem. 


demais gadgets como ganchos de reboque, grades de proteção de farol aumentadas e passa fios no capô não comprometem tamanho o comprometimento dado pelos itens citados. e paro por aqui, para não achar mais nesta foto porque estou ouvindo zumbidos de broca e já estou mais do que apavorado.


in tempo: a disposição e tamanho dos faróis adicionais sobre o "mata-cavalos" dão-lhe uma proximidade a nivas e samurais. se a intenção é esta, o desastre intentado é ainda maior.

frankstein room´s


nunca é demais lembrar que estamos tratando de um 4x4 - são raros e há diversas lendas sobre a quantidade - como se pode ver pela imagem de duas alavancas. o painel, que traz a parte central(velocimetro, odômetros da kombi) fere a nascente do verdadeiro espírito puro e duro de um jeep: dois instrumentos e fim de papo. mas isto não é privilégio deste jeg. o próprio catharino, que foi continuador da produção da dacunha, fabricante original do jeg, em sua qt, também utilizou o recurso dos mostradores da kombi no seu exemplar diesel filho único. o inclinômetro adicionado ao tipo de ignição, e as diversas chaves "salada" no painel completam o verdadeiro quarto de frankstein que se tornou o interior deste jeg. para o preço de 60 mil ou menos, como se cobra agora, ainda é muito pouco por metro quadrado. não o preço mas sim o cuidado estético com a montagem dos apetrechos do dito cujo.

roda, roda mas não apita o meu coração

detalhe da roda livre e das jantes que configuram o visual da lembrança do projeto original. o desenho dos pneus fica pelo meio caminho da aura dos 4x4. mesmo que seja só por uma questão de imagem e não de uso. é de se lamentar a falta de qualidade e alinhamento nos apliques de logotipos e logomarcas, repetimos, por 60 mil há que se cuidar dos detalhes com mais esmero, pois como já dizia o cara, de nome complicado*, deus está nos detalhes( e para mim o diabo também, principalmente).


*ludwig mies van der rohe

traseira que corresponde, infelizmente, a dianteira


tudo bem que a mecânica do jeg e outros componentes são da volkswagen. mas carago! o veículo é um jeg. então porque a logomarca vw do tamanho de um elefante nesta traseira enganadora que mais parece leviana calça levanta bum-bum? 


a começar da inversão da localização do galão, tudo é um deus nos acuda. lanternas originais substituídas pelas do gol bx - os soquetes mais difíceis de achar do mercado - que por sua vez estão intimamente ligadas a imagem do gurgel tocantins. a fechadura do motor mais parece umbigo de nascituros pobres - infelizmente tratados assim - protuberância fora do lugar que lhe é determinada, sem dúvida, pelo posicionamento do step, que até aqui vai na contramão do mercado que diz que estepe exterior já era - eles não pensam na mãe deles tendo de trocar pneus e retirando-o debaixo do veículo, com já documentados riscos de perda da mão - mas ao qual nos referimos não por tendência de mercado e sim por questões de respeito a proporção. ganha-se espaço no espaço destinado ao pneu sob o capô. sim, mas vale a pena o tresando? 


para terminar, o escape que sempre foi um problema, não só do jeg mas da maioria dos jeeps. afinal, um veículo programado para matar até águas médias ter escape baixo é pedir para engasgar antes de atravessar. neste caso - considerando-se o custo benefício, afinal são 60, trinta se fosse, merecia mais atenção. a adulteração do parachoque para receber a geringonça puxa-treco não fere a estética até porque o rombo em baixo é mais em cima. e olhando-se para cima tem-se a visão dos protetores de pescoço e bancos, material do meio, que tal como dianteira e traseira, não levaram em conta o equilibrio entre estilo, segurança, conforto e personalidade.


é um caso sério para a psiquiatria. sem dúvidas. mesmo mal que padece o jeg azul que sonhou ser puro sangue e reflete-se mais pangaré. mas isto é para o próximo post.


60 mil reais, 52 que sejam? ai meu cacetinho.