Sunday, February 19, 2006

el dia en que me quieras(o amor não é lindo?)


onde havia um porto para zepelins, durante a segunda guerra, no recife, avistei um jeg pela segunda vez na vida. quem foi que disse que a primeira vez é sempre melhor ? balela. avistei de longe, era também amarelo, em estado razoável. um placa de vende-se mais largadona do que ele estava. um sujeito de pouco papo, e bastante sem saco, veio atender-me, demonstrando uma vontade enorme que eu me mandasse dali, que o sol tava quente, e ele queria mais era dormir. estaria eu no méxico?

uns ferrugens na carroceria, o suficiente para que minha inexperiência a classificasse de buraco que não vale a pena. dei meia volta olhei procurando a velha torre de atracação de zepelins do jiquiá e sumi.

vinte anos mais tarde, numa oficina " especializada" em jipes, o mecânico, não quis saber porque apelidado de roberto maluco, indicou-me que havia um jeg lá no campo do jiquiá. parado há três meses. branco e com as características do segundo jeg que havia visto, conforme discrição aqui.

e lá fui eu montado no jegboy que tenho hoje. um pouco para ver se encontrava um jeg com as aletas de ventilação inteiras para poder copiá-las, e um pouco para rever a sensação de estar de novo vivendo o passado. por quê cargas d´água sempre estamos a fazer isso ?

já havia voltado da europa há um ano. durante umas férias, havia comprado um MP-Lafer 75, modelo exportação, para restaurá-lo com precisão, assim que conseguisse dinheiro para isso. o gurgel, tocantins, TR, para minha mulher já havíamos comprado. mas eu queria um carro pra mim, prevendo a nossa mudança para a praia de baía formosa, alí no rio grande do norte, bem próximo a pipa.

razões de custo, e gosto, o javali era a minha opção. cheguei a ver cerca de meia dúzia, mas nada que me entusiasmasse. durante quase um ano, olho vivo e leitura dos classificados,quando deparo-me com: jipe, jeg, 78, em bom estado. e lá vou eu, conferir o jeg.

só muita vontade mesmo, resmungo. entre voltas e mais voltas até achar o endereço. está num prédio de classe média baixa, lavadinho, lavadinho, o que já dá para desconfiar. o dono, desses caras bem certinhos, foi comigo far uma volta. disse que o queria vender, porque com hérnia de disco, o jeg machucava muito a coluna. e realmente com as rodas aro 13 que estava, era uma temeridade.

mas razão maior para a venda, disse-me ele, se encenando, o fez muito bem: comprou o carro porque o queria passar para os filhos. mas ao levar os filhos para uma festa numa casa de recepções metida a chic, os filhos ficaram envergonhados. doeu-lhe mais na coluna, acredito.

3.500 reais, disse-me ele. não baixo nem um tostão porque coloquei chapa nova no assoalhom o carburador é novo e blá,blá,blá.

disse que ia pensar. só compraria este jeg, um ano depois, e não mais com este proprietário. mas como e quando? fica para a semana que vem.
p.s. o jegboy já mudou de cara, porque o estou restaurando, procurando devolver-lhe a face mais original possível. pra começar, agora tem a cor amarelo case, dos tratores case, assim pensada para contrastar com todos os pretos de para-choques, capotas, parafusos, pneus, etc. se você não consegue de imediato associar a cor, lembra a cor que se pintava os veículos do camel trophy, você deve se lembrar.

1 comment:

Ed said...

A cor do Camel não era o cáqui? Ou o sand yellow? Ah, devem ser a mesma coisa....